UM
NINHO NO VASO
Uma das
casas que mais adoro visitar é a de uma tia que reside na cidadezinha onde
nasci.
A casa é
impecável e decorada com extremo bom gosto, apesar da simplicidade.
É um recanto
de paz, cheira a limpeza e tudo está sempre muito organizado.
O quintal
todo é um primor e o jardim possui uma quantidade imensa de flores e folhagens
combinadas entre si.
Existe um
sincronismo perfeito na distribuição das plantas transformando o terreno
acidentado num ambiente peculiar.
Desde a
infância sempre adorei estar lá.
A sensação é
que adentramos em outro mundo quando lá chegamos.
Um mundo
mais perfeito.
É uma
sugestão? Uma impressão causada pela perfeição das coisas? Talvez sim.
A pessoa
perfeccionista que é esta minha tia é simplesmente encantadora.
É uma mulher
rara, de doces olhos azuis e mãos de fada.
Costurava
divinamente e em tudo que faz capricha extremamente.
Na parte
inferior da casa há uma varanda imensa toda arranjada com vasos magníficos. Há
uma variedade enorme de folhagens. É um local fresco e muito agradável. As
cadeiras nos convidam a sentar e lá ficar por horas.
Na véspera
de Natal estive visitando-a.
Admirei cada
recanto da casa. Fiquei simplesmente encantada com o rocambole divino que
descansava sobre um móvel aguardando o horário da ceia.
Desci a
singela escadaria que leva à varanda e ao jardim.
Meus olhos
gostaram de admirar tudo.
Minha tia me
pegou pela mão e disse que a acompanhasse para ver algo especial.
Diante de um
vaso de xaxim ela parou e me mostrou algo fenomenal. Naquele canto da varanda
uma samambaia arrastava suas folhas até o chão formando um cortinado verde.
Olhei e nem
conseguia crer no que via.
Enquanto eu
admirava tudo ela me contou que um sabiá estivera rodeando a casa. Depois ela
pôde vê-lo a carregar material para fabricar um ninho.
E descobriu
extasiada que ele escolhera um de seus vasos de folhagem para construí-lo.
Contou
gesticulando, naquele jeito tão dela, que era maravilhoso poder admirar o
trabalho da ave em construir seu novo lar e depois os ovinhos, os filhotes.
Ela assistia
a mãe alimentando os filhotinhos bem de pertinho.
E me contou
também que na manhã daquele mesmo dia é que eles alçaram voo e abandonaram o
ninho.
Algo tão bem
feito, tão perfeito. Algo que combina perfeitamente com aquela casa.
Eu nunca
havia visto uma ave, com o porte de um sabiá, chocar ovos num vaso de folhagem.
Vou guardar
para sempre em meu peito esta bela imagem. Era tão acolhedor ver aquele ninho
construído aonde as folhas nasciam. Era a vida nascendo dentro da vida. As folhas
novas envolvendo o ninho. Algo emocionante mesmo.
sonia delsin
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário