quarta-feira, 28 de maio de 2014



UM NINHO NO VASO


Uma das casas que mais adoro visitar é a de uma tia que reside na cidadezinha onde nasci.
A casa é impecável e decorada com extremo bom gosto, apesar da simplicidade.

É um recanto de paz, cheira a limpeza e tudo está sempre muito organizado.
O quintal todo é um primor e o jardim possui uma quantidade imensa de flores e folhagens combinadas entre si.
Existe um sincronismo perfeito na distribuição das plantas transformando o terreno acidentado num ambiente peculiar.
Desde a infância sempre adorei estar lá.
A sensação é que adentramos em outro mundo quando lá chegamos.
Um mundo mais perfeito.
É uma sugestão? Uma impressão causada pela perfeição das coisas? Talvez sim.
A pessoa perfeccionista que é esta minha tia é simplesmente encantadora.
É uma mulher rara, de doces olhos azuis e mãos de fada.
Costurava divinamente e em tudo que faz capricha extremamente.
Na parte inferior da casa há uma varanda imensa toda arranjada com vasos magníficos. Há uma variedade enorme de folhagens. É um local fresco e muito agradável. As cadeiras nos convidam a sentar e lá ficar por horas.
Na véspera de Natal estive visitando-a.
Admirei cada recanto da casa. Fiquei simplesmente encantada com o rocambole divino que descansava sobre um móvel aguardando o horário da ceia.
Desci a singela escadaria que leva à varanda e ao jardim.
Meus olhos gostaram de admirar tudo.
Minha tia me pegou pela mão e disse que a acompanhasse para ver algo especial.
Diante de um vaso de xaxim ela parou e me mostrou algo fenomenal. Naquele canto da varanda uma samambaia arrastava suas folhas até o chão formando um cortinado verde.
Olhei e nem conseguia crer no que via.
Enquanto eu admirava tudo ela me contou que um sabiá estivera rodeando a casa. Depois ela pôde vê-lo a carregar material para fabricar um ninho.
E descobriu extasiada que ele escolhera um de seus vasos de folhagem para construí-lo.
Contou gesticulando, naquele jeito tão dela, que era maravilhoso poder admirar o trabalho da ave em construir seu novo lar e depois os ovinhos, os filhotes.
Ela assistia a mãe alimentando os filhotinhos bem de pertinho.
E me contou também que na manhã daquele mesmo dia é que eles alçaram voo e abandonaram o ninho.
Algo tão bem feito, tão perfeito. Algo que combina perfeitamente com aquela casa.
Eu nunca havia visto uma ave, com o porte de um sabiá, chocar ovos num vaso de folhagem.
Vou guardar para sempre em meu peito esta bela imagem. Era tão acolhedor ver aquele ninho construído aonde as folhas nasciam. Era a vida nascendo dentro da vida. As folhas novas envolvendo o ninho. Algo emocionante mesmo. 
 sonia delsin

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