quarta-feira, 28 de maio de 2014



O SUSTO


Éramos várias moças a morar naquele apartamento.
A vida e as circunstâncias nos aproximaram de alguma forma. A solidão e nossas carências nos levavam a sermos muito unidas.
Muito conversávamos e muito ríamos quando estávamos reunidas.
Uma das moças que dormia no mesmo dormitório que eu, tinha tios morando ali mesmo naquela rua que morávamos.
Ela optara por morar só por razões que eu desconhecia e respeitava. Nem vem ao caso agora.
Sempre pude sentir o quanto ela os amava, principalmente ao tio que se encontrava muito doente.
Pela manhã fomos visitá-lo e me recordo que sua tia me adorou. Não parava de falar de meus olhos. Ela adorava pessoas de olhos claros.
Fiquei até um pouco tímida lá.
Era um sábado, e na parte da tarde nos sentamos nas cadeirinhas de ferro, no meio da cozinha.
Muitas vezes ficávamos reunidas lá.
Estávamos conversando quando um barulho ensurdecedor se fez sobre o tampo da mesa de ferro. Era como se um enorme murro tivesse sido dado ali.
Nos levantamos bem depressa e ficamos observando a mesa. Nesse meio tempo a Dona Angelina gritou chamando esta minha amiga que tinha o tio doente.
Saímos as quatro moças na pequena sacada para ver o que estava havendo. E a mulher já foi falando:
─ Claudete, é o seu tio. Acabou de falecer. Sua tia me ligou e está desesperada. Vá para lá correndo menina.
Minha amiga começou a chorar. Nós a consolamos e passamos pela cozinha. Olhamos a mesinha de ferro. Nós a ajudamos a se arrumar um pouco e a acompanhamos até a casa do tio falecido.
A Claudete não parava de repetir:
─ Foi ele. Ele quis se despedir...


sonia delsin

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