A
TRILHA DOS JEQUITIBÁS
Minha mãe não parece ter a idade que tem. Está sempre tão disposta.
Quem a vê não imagina o que já passou na vida.
Está sempre a brincar, a sorrir e tem um jeito tão doce. Uma maneira tão linda de encarar tudo.
A minha futura nora era a mais silenciosa do grupo. É o seu jeito de ser. Ela tem um sorriso tão gostoso, tão natural, que entendo perfeitamente porque meu filho se apaixonou por ela.
Meu filho e suas piadinhas. Um gigante de sorriso terno. Está sempre disposto, sempre vendo os dois lados de tudo. Sempre a gerar conciliação. Sempre hasteando uma bandeira de paz.
Eu, a recolher sementes, e resistindo a tentação de pegar algumas pedras pelo caminho.
Aquela trilha encantadora não me sai do pensamento. O cheiro de tantas plantas, o silêncio sendo interrompido pelo canto de um pássaro. Um réptil e seu barulhinho quase imperceptível.
A máquina fotográfica sendo usada a toda hora.
No tronco das árvores plaquetas as identificando.
Um percurso delicioso. As frases ditas... as risadas.
O macaquinho no alto da árvore a nos espiar.
E ao chegarmos ao jequitibá rosa. A gigantesca árvore encantando e fascinando pelo porte majestoso. Três mil anos é a sua idade estimada. É uma árvore que sobreviveu a todas as intempéries de três milênios. Imagino quantas transformações ocorreram na natureza neste tempo enorme e ela está lá. Dizendo sobrevivi. Estou aqui.
Doze homens são necessários para abraçar seu tronco e quando estamos sob ela não podemos deixar de pensar em Deus. Pensar que existe algo muito maior do que nós.
Bem, claro que fotografamos! Claro que usufruímos a deliciosa sombra!
Fiquei a olhar os galhos que parecem roçar o céu. Quantos pássaros se abrigam no alto deles.
Não dá nem para desejar escalá-la. É uma preciosidade, não deve ser tocada. Só admirada e respeitada. É uma divindade naquela reserva. Está lá para nos provar que existe sobre a terra milagres que jamais entenderemos. Está dizendo que os mistérios do universo não desvendaremos jamais.
Ao voltarmos em direção ao estacionamento já quase escurecia na mata. A noite chega mais cedo naquele cortinado verde.
Minha mãe nos apressava dizendo que os animais deixam a toca quando começa a escurecer.
Eu ria e lhe dizia que ficasse com a máquina preparada. No caso de aparecer uma onça nós a fotografaríamos.
Ela ralhava comigo e dizia:
─ Diz isso porque nunca viu uma na frente. Eu sairia correndo e nem me lembraria da máquina.
Meu filho ria do medo da avó e íamos brincando com ela.
Fomos os últimos a sair e logo em seguida o guarda fechou os portões.
Na mata já escurecia. Nós a deixamos adormecer em paz.
sonia delsin
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