quarta-feira, 28 de maio de 2014


COMO NAQUELES TEMPOS


Estou escrevendo esta crônica sentada numa varandinha, rodeada de verde, com perfume de flores no ar.
Daqui eu posso ver uma trepadeira coberta de flores róseas que insiste em caminhar sobre os telhados.
Uma velha jabuticabeira com poucas frutas, onde maritacas barulhentas se deliciam.
Ouço bem-te-vis, tico-ticos, corruíras. Um papa capim vez ou outra se aproxima muito de mim.
Ele saltita de galho a galho nos pés de murta que circundam todo o calçamento.
De um lado posso ver chácaras com casarões imponentes, de outro residências comuns de um velho bairro onde vivi a minha mocidade.
Uma construção me impede de avistar a antiga chácara onde nasci e passei toda a infância.
Posso ver a rua, os poucos transeuntes, velhos conhecidos de tantos anos.
Ouço-os conversando e penso que aqui o tempo parece não passar.
Algumas coisas mudaram, é claro!
Pessoas envelhecidas que me conheceram de uma vida passam me cumprimentando.
De meu posto de observação analiso a posição privilegiada de minha alma sensitiva captando coisas do momento, recordando coisas passadas.
Boas, más.
Sou parte integrante deste quadro, sou um pouco do perfume deste ar fresco, desta brisa leve, deste verde que amo.
Amanhã já não estarei mais aqui. As pessoas ao passar não me verão mais manuscrevendo estas folhas de papel, mas sei que estou impregnada em suas lembranças, como elas nas minhas...

sonia delsin

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