COMO NAQUELES TEMPOS
Estou escrevendo esta crônica sentada
numa varandinha, rodeada de verde, com perfume de flores no ar.
Daqui eu
posso ver uma trepadeira coberta de flores róseas que insiste em caminhar sobre
os telhados.
Uma velha
jabuticabeira com poucas frutas, onde maritacas barulhentas se deliciam.
Ouço
bem-te-vis, tico-ticos, corruíras. Um papa capim vez ou outra se aproxima muito
de mim.
Ele saltita
de galho a galho nos pés de murta que circundam todo o calçamento.
De um lado
posso ver chácaras com casarões imponentes, de outro residências comuns de um
velho bairro onde vivi a minha mocidade.
Uma
construção me impede de avistar a antiga chácara onde nasci e passei toda a
infância.
Posso ver a
rua, os poucos transeuntes, velhos conhecidos de tantos anos.
Ouço-os
conversando e penso que aqui o tempo parece não passar.
Algumas
coisas mudaram, é claro!
Pessoas
envelhecidas que me conheceram de uma vida passam me cumprimentando.
De meu posto
de observação analiso a posição privilegiada de minha alma sensitiva captando
coisas do momento, recordando coisas passadas.
Boas, más.
Sou parte
integrante deste quadro, sou um pouco do perfume deste ar fresco, desta brisa
leve, deste verde que amo.
Amanhã já
não estarei mais aqui. As pessoas ao passar não me verão mais manuscrevendo
estas folhas de papel, mas sei que estou impregnada em suas lembranças, como
elas nas minhas...
sonia delsin
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