quarta-feira, 28 de maio de 2014



A FOTOGRAFIA


Um dia destes conversava com meus filhos e meu sobrinho sobre fotografias. Falávamos como elas são importantes para marcarmos o tempo, para guardarmos momentos.
Falávamos das fotos dos bebês. Parece mentira que fomos daquele tamanhinho.
Então lhes contei que na casa de minha avó existia uma fotografia de minha bisavó paterna que me incomodava muito.
Eu peguei verdadeiro pavor por aquele retrato.
Não conheci minha bisavó e minha mãe diz que ela foi uma pessoa espetacular. Que nem consegue entender porque impliquei com ela.
Quando eu via a foto sentia arrepios e precisava virá-la.
Alguma coisa em seus olhos mexia comigo.
Depois da morte de minha avó nunca soube onde ela foi parar e nem me incomodei com isto.
Era tão só uma estampa mesmo.
Meu filho mais velho me disse depois que lhes contei isso:
─ Mãe, eu vou lhe contar uma coisa que nunca quis falar antes. Sabe, na casa da vó tem uma foto sua ampliada no final do corredor e eu também não gosto dela.
Perguntei espantada:
─ Mas por que? O que há com aquele pôster?
Meu filho mais jovem entrou na conversa e disse:
─ Eu também não gosto mãe. Parece que seus olhos acompanham a gente onde quer que vá.
Meu sobrinho também comentou:
─ Também me incomoda aquela sua fotografia lá. Não gosto.
Fiquei um tempo quieta e por fim lhes falei:
─ Vou pedir a vó Lina que tire aquela foto de lá então. Não sabia que ela causava isto nas pessoas.
A fotografia esteve todos estes anos dependura naquela parede. Eu tinha dezoito anos quando foi feita e nunca antes ninguém me dissera nada.
Mas gostei dos meninos terem comentado. Vou pedir a minha mãe que a destrua. Não quero nunca que alguém sinta o que sentia em relação à foto de minha bisavó.

sonia delsin

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