quarta-feira, 28 de maio de 2014



MEU GATO BRANCO

Tão logo eu me sentava ele pulava em meu colo.
Levei tanta bronca por causa daquele bichano.
Meu pai implicava com ele. Minha mãe idem.
Ele era o meu xodó. Fazia mil graças para mim.
Engraçado! Parece que os animais entendem o que se passa no coração do dono.
Quando eu me apaixonei ele pareceu notar.
Aquele gato tinha uma peculiaridade que me encantava; às vezes ele me acompanhava quando eu saía para o trabalho.
O local onde eu trabalhava não era tão próximo de casa e ele ia todo feliz atrás de mim. Eu sentia um pouco de receio que o atropelassem, mas os gatos têm sete vidas!
E à noite, quando saía para a escola, muitas vezes ele me seguia novamente.
Quando eu chegava estava sempre na frente de casa me esperando.
Entrava comigo.
Eu lhe fazia muitos agrados e o deixava dentro de casa (coisa que irritava meus pais).
Comecei a namorar e ele ficava sempre por perto quando meu namorado chegava.
Chegou a arranhá-lo uma vez e eu lhe disse que era só por ciúmes. Então o peguei ao colo e o beijei muito.
Lembro bem que meu namorado não gostou nem um pouco (ele nunca gostou de gatos).
Claro que eu vivia com meu lindo gato branco no colo.
Adorava alisar seus pêlos macios e ficar ouvindo o ronronar.
Nem todo mundo gostava dele, mas eu sim. O adorava mesmo.
Tenho uma fotografia daquele tempo. Na foto estou com ele bem estreitadinho ao meu peito.
Foi o último gato que tive, porque foi tão traumatizante para mim sua morte.
O meu lindo Mimi foi sacrificado. Uma doença incurável levou meus pais a sacrificá-lo, para que não morresse aos poucos e sofresse mais, disseram.
Eu não queria aceitar aquilo e chorei tanto naquele dia.
Sob uma jabuticabeira abri uma cova não tão funda.
Eu o enterrei e depois fiquei um tempo enorme sentada ao lado sentindo um vazio no peito.
Não iria tão cedo esquecer seus olhos me olhando. O pulo no meu colo. Aquele animalzinho tão especial me seguindo pelas ruas, me esperando. Subindo na minha cama e me arranhando de leve quando eu me distraia e o esquecia.
O ronronar...
Ficou a fotografia e mais que isso. Quando fecho os olhos posso vê-lo de novo. Posso até sentir a ternura que ele me despertava, porque o amor não morre jamais.
Mesmo o amor que dedicamos aos bichos de estimação.

sonia delsin

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