SONHEI... EU SEI...
Deus! O sonho desta noite foi magnífico!
Parecia real.
Sonhei que tinha asas. Não estas da imaginação que me levam a todo lugar
que desejo estar. Umas asas de verdade. Rosas. Num cor-de-rosa das rosas que
minha mãe cultivava no jardim de nossa chácara.
Elas eram lindas e tinham bem no centro uns pontos coloridos. Estes pontos
brilhavam como um arco-íris.
Eram grandes, tão bem feitas e eu as olhava totalmente encantada. Nem podia
crer que me pertenciam. Parecia uma criança que olha o mundo com olhos
admirados.
Eu ensaiava um voo e quando dava por mim sobrevoava cidades, campos, rios,
mares.
Era um pássaro lindo voando sobre o mundo dos homens.
No sonho eu recordava um livro que havia lido e pensava que de repente
poderiam me atacar no espaço.
Sabia que não era normal ter aquelas asas e voar.
Mas a sensação era tão boa. Eu deixava meu corpo solto e flutuava. As
correntes de ar quente me levavam, levavam... arrastavam.
Então desejei estar num lugar que eu sei que existe e me senti triste
porque sabia que não devia ir até lá.
Era um lugar proibido até para os seres alados.
Fiquei voando e pensando que poderia escolher um outro lugar para morar. No
topo de uma montanha, à beira do mar, num lugar muito frio, muito quente. Eu
poderia escolher.
Resolvi acompanhar uns pássaros e eles não me estranharam. Me aceitaram...
Eles migravam e senti que não estava desejando isso para mim.
Batia uma saudade no peito. Saudade de minha casa, de minhas coisas.
Saudade de pisar o chão.
Descobri dentro do sonho que já não era mais a mesma pessoa de antes, já
não era humana. Aquele corpo alado era o meu espírito. Tudo que eu recordava
fazia parte do passado.
Eu estava partindo do planeta... as asas me levavam e aos poucos eu tomava
consciência de meu estado.
Já havia morrido para as coisas da terra e estava num outro tempo.
Desencontrada ainda eu voava em busca de mim.
Nesta busca eu acordei e me sentei na cama. Olhei meu quarto e mesmo na
semi-escuridão reconheci tudo que me rodeava. Fiquei olhando o nada e pensando
naquele ser alado. Ele mora dentro deste corpo que carrego? Um dia ele voará?
Ele tem voado enquanto sonho?
Eu sei que sonhei... que voei... eu sei...
sonia delsin
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