quarta-feira, 28 de maio de 2014



UM CRAVO NA LAPELA


Hoje eu vi um canteiro de cravos vermelhos. Abaixei até eles para sentir o perfume. Então me senti um tanto estranha. Comecei a recordar uma pessoa que não cheguei a conhecer, mas ouvi tanto falar dele.
Era meu bisavô. Minha mãe sempre nos contou como ele amava estas flores.
Senti uma ternura por esta pessoa que não conheci.
Acho os cravos umas flores tão sensuais, o perfume tem algo de exótico.
Fiquei a imaginar este homem que sempre usava um cravo na lapela. Como seria? Os sonhos que tinha...
Eu trago dele algo guardado em mim, na minha genética, no meu coração talvez.
Não o vi jamais, não sei como poderiam ser suas mãos que apanhavam os cravos, seus olhos que o admiravam, seu nariz que aspirava este perfume forte. Sua boca que pode até tê-los beijado. Por que não?
Mas sua alma eu quase consigo alcançar quando fecho os olhos e também aspiro o perfume.
Sempre, em qualquer momento que vi uma destas flores foi dele que me recordei. Não consegui nunca formar uma imagem física deste homem porque minha imaginação poderia criá-lo de qualquer forma menos a original. Mas que importância poderia ter esta imagem se a que guardo dentro de mim não precisa desta vestimenta dos humanos?
Ele existe em mim, nas minhas lembranças. O cravo o traz até aqui e sei que o amo porque sou parte dele, mesmo sem tê-lo conhecido. Sei que existiu, sonhou e amou.
Não vou dizer que o cravo é a minha flor preferida, mas ele me toca. Mexe com minha sensibilidade. O perfume me invade inteira.
Nestes momentos em que o aspiro eu penso no tempo, no que o tempo guarda. No que se desgasta e no que nunca se acaba.



 sonia delsin

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