UMA
ESTRADA DO PASSADO
Vou
fechar meus olhos e esperar um pouco.
Dizem
que o passado deve ficar enterrado.
Que
devemos pensar em seguir em frente.
Eu
sei disso, mas vou trazer até aqui uma estrada do
passado...
uma coisa boa que guardo. Momentos especiais.
Estive
recordando por um instante um tempo que marcou minha
alma.
Íamos
na carroça, meu pai que a guiava, minha irmã e eu.
Nós
duas sentadinhas no fundo da carroça. O vento no rosto.
Conversávamos.
Parece
que sinto de novo o perfume das flores de laranjeira.
É
algo muito especial.
Lembro
que num determinado trecho do caminho pedi a meu pai
que
parasse e colhesse umas flores de uma árvore que
chamávamos
de Santa Bárbara.
Eram
umas flores tão delicadas.
Como
adorava a delicadeza delas!
Murchavam
com facilidade, é verdade.
Eu
desejava levar para casa um pouco da beleza e não entendia
naquele
tempo que existem belezas que não se transportam.
Elas
possuíam todo aquele encanto na árvore.
Mas
para me contentar meu pai parava, apanhava e me entregava
um
buquê delas.
Estive
recordando como ele adorava suas meninas.
Não
dizia. Com palavras não. Mas eu sabia, sempre soube. Seus olhos viviam
carregados de ternura.
Ele
nos amava intensamente.
E
se foi.
As
lembranças ficaram.
Fechando
os olhos eu volto a ser a garotinha frágil que se
encolhia
no cantinho.
A
vida deu tantas voltas. Tantos sonhos, planos, tantas
realizações.
Tantas ilusões e desilusões.
Descobri
que o tempo nada significa. Que a menina vive.
Sonha,
deseja. Ainda sente o cheiro de mato, o vento nos
cabelos,
ouve o tropel do cavalo.
Deseja
o carinho do pai. As flores tão fugazes.
Deseja
caminhar pelos caminhos do passado e reviver momentos
que
se imortalizaram.
Deseja
o tempo que já passou.
sonia delsin
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