A
VIDA É UM PRESENTE
Dia
destes estava caminhando. Quase todas as manhãs saio bem cedo para caminhar
pela redondeza.
Vou
pensando e rezando. Não uma ave-maria e pai-nosso decorado, não é assim que
rezo. Eu vou conversando com um Ser que acredito. Um “Ser Superior” que
acompanha meus passos, que vive em meu interior. No interior de cada ser.
Vou
admirando os pássaros, as plantas do caminho. O céu tão azul. O sol surgindo no
horizonte. As pessoas que cruzam meu caminho e me dizem bom dia. Uns
timidamente, outros de maneira mais firme.
Vejo
alguns cães soltos pelas ruas e muitas vezes me assusto com algum que late
repentinamente quando passo por alguma residência, ou bem próximo de mim.
Estava
eu dias atrás olhando o horizonte, havia no ar um pouco de cerração, de forma
que não eram nítidos os detalhes.
Pensava
que numa certa encruzilhada da vida encontrei uma resposta e redescobri que a
vida é um presente. Mas um presente tão caro!
A
partir deste dia mudei minha forma de viver. Descobri que precisava ser uma
pessoa mais solta, mais flexível. Digo que agora estou vivendo de forma Zen.
Descobri
que o primeiro passo para vivermos bem é amarmos e respeitarmos intensamente o
ser que vive em nosso interior. Ele pede coisas, claro que pede. Vive a nos
pedir e tantas vezes ignoramos todos os seus pedidos. Nos agarramos ao passado,
porque o passado é um lago parado. Não traz novidades, não exige nada. Ou nos
refugiamos no futuro. Naquilo que é incerto.
Enquanto
sonhamos não temos compromisso com nada e nem atitudes devemos tomar.
Já
o presente não. Ele é a vida correndo, é o pedido e a resposta imediata.
Olhando
o horizonte eu me vi num lugar que guardo dentro de mim desde a infância. Meu
santuário, eu o chamo. É o meu canto de paz.
Bem
menina eu estava encostada num tronco de jabuticabeira quando o encontrei. Ele
resplandecia e me assustei no início. Que lugar era aquele? Estaria sonhando
acordada?
Fui
verificando os detalhes e descobri que ele existia e existiria sempre. Eu só
não poderia deixar que ele morresse dentro de mim.
Quantas
vezes durante a minha vida estive neste lugar! E um dia eu o perdi...
Fiquei
um bom tempo a buscá-lo e naquela manhã descobri algo incrível. Ele sempre
esteve ao meu alcance. Eu só havia deixado de acreditar nele.
Não
senti meus pés pisando mais nas calçadas. Não vi mais as ruas, não sei se
cruzei com pessoas e automaticamente as cumprimentei.
Quando
dei por mim já me aproximava de casa.
Estava
leve. Tão leve. Todo meu ser dizia paz.
Eu
o havia recuperado. Que tola fora! Ele me pertence. Veio a mim como um
presente, como a vida é um presente; que desperdiçamos quando deixamos os
momentos passarem. Quando não damos o verdadeiro valor ao que nos cerca.
Experiências
dolorosas estiveram machucando meu coração e não conseguia enxergar o valor das
pequenas coisas, mas aos poucos, conversando com Deus, ele veio me mostrar que
eu não havia perdido nada, só estava confusa.
Ele
me fez enxergar de novo com os olhos da menina que nunca morreu em mim. A
menina que descobriu que a vida é o maior bem. A menina que guardou um
santuário dentro do coração. Um canto de paz que ninguém invade... um canto de
paz onde a vida é plena.
sonia delsin
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