quarta-feira, 28 de maio de 2014



A VIDA É UM PRESENTE

Dia destes estava caminhando. Quase todas as manhãs saio bem cedo para caminhar pela redondeza.
Vou pensando e rezando. Não uma ave-maria e pai-nosso decorado, não é assim que rezo. Eu vou conversando com um Ser que acredito. Um “Ser Superior” que acompanha meus passos, que vive em meu interior. No interior de cada ser.
Vou admirando os pássaros, as plantas do caminho. O céu tão azul. O sol surgindo no horizonte. As pessoas que cruzam meu caminho e me dizem bom dia. Uns timidamente, outros de maneira mais firme.
Vejo alguns cães soltos pelas ruas e muitas vezes me assusto com algum que late repentinamente quando passo por alguma residência, ou bem próximo de mim.
Estava eu dias atrás olhando o horizonte, havia no ar um pouco de cerração, de forma que não eram nítidos os detalhes.
Pensava que numa certa encruzilhada da vida encontrei uma resposta e redescobri que a vida é um presente. Mas um presente tão caro!
A partir deste dia mudei minha forma de viver. Descobri que precisava ser uma pessoa mais solta, mais flexível. Digo que agora estou vivendo de forma Zen.
Descobri que o primeiro passo para vivermos bem é amarmos e respeitarmos intensamente o ser que vive em nosso interior. Ele pede coisas, claro que pede. Vive a nos pedir e tantas vezes ignoramos todos os seus pedidos. Nos agarramos ao passado, porque o passado é um lago parado. Não traz novidades, não exige nada. Ou nos refugiamos no futuro. Naquilo que é incerto.
Enquanto sonhamos não temos compromisso com nada e nem atitudes devemos tomar.
Já o presente não. Ele é a vida correndo, é o pedido e a resposta imediata.
Olhando o horizonte eu me vi num lugar que guardo dentro de mim desde a infância. Meu santuário, eu o chamo. É o meu canto de paz.
Bem menina eu estava encostada num tronco de jabuticabeira quando o encontrei. Ele resplandecia e me assustei no início. Que lugar era aquele? Estaria sonhando acordada?
Fui verificando os detalhes e descobri que ele existia e existiria sempre. Eu só não poderia deixar que ele morresse dentro de mim.
Quantas vezes durante a minha vida estive neste lugar! E um dia eu o perdi...
Fiquei um bom tempo a buscá-lo e naquela manhã descobri algo incrível. Ele sempre esteve ao meu alcance. Eu só havia deixado de acreditar nele.
Não senti meus pés pisando mais nas calçadas. Não vi mais as ruas, não sei se cruzei com pessoas e automaticamente as cumprimentei.
Quando dei por mim já me aproximava de casa.
Estava leve. Tão leve. Todo meu ser dizia paz.
Eu o havia recuperado. Que tola fora! Ele me pertence. Veio a mim como um presente, como a vida é um presente; que desperdiçamos quando deixamos os momentos passarem. Quando não damos o verdadeiro valor ao que nos cerca.
Experiências dolorosas estiveram machucando meu coração e não conseguia enxergar o valor das pequenas coisas, mas aos poucos, conversando com Deus, ele veio me mostrar que eu não havia perdido nada, só estava confusa.
Ele me fez enxergar de novo com os olhos da menina que nunca morreu em mim. A menina que descobriu que a vida é o maior bem. A menina que guardou um santuário dentro do coração. Um canto de paz que ninguém invade... um canto de paz onde a vida é plena.


sonia delsin

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