quarta-feira, 28 de maio de 2014



TUDO SE ACABA?


Quando menina eu adorava pegar um palito e girar para ver as fagulhas se espalharem no ar. Aqueles palitos coloridos que soltavam foguinhos...
São João. Balão!
Adorava pé de moleque! Meus dentes os trituravam. Que delícia!
Fogueira.
Quadrilha.
As festas juninas de agora não parecem mais ter o encanto das de outrora.
Talvez eu esteja sendo retrógrada ao dizer isso.
Não sei bem, parece-me que as festas de antigamente tinham um sabor diferente.
Pensei que era devido a idade que via as coisas desta maneira, mas um dia destes o meu sobrinho (um jovem de dezenove anos), comentou comigo que as festas de hoje em dia não são tão legais.
Ele me disse:
─ Que graça eu vou achar nisto tia? As festas perderam a graça. Veja só, hoje em dia eu mesmo compro meu ovo de páscoa. Lembra quando você escondia nossos ovos e tínhamos que procurá-los pela manhã? Era mesmo divertido. Lembra-se quando o Di acreditava em Papai Noel? Nós dávamos a volta pela casa e íamos bater na janela. Por que será que tudo vai se acabando? Por que será? Tudo parece se voltar para uma questão comercial. E os sentimentos onde ficam?
Eu lhe disse que ele é muito jovem para pensar desta forma. Que não podemos perder as ilusões, mas ele me disse que as coisas vão se acabando, se deteriorando.
Que pena! A vida necessita de cor, alegria, poesia. As ilusões devem nos encher os corações.
Eu me recordo as festas de aniversário de minha cidade. Meu Deus! Fazíamos uma roupa nova para a ocasião. Naquele dia tudo era tão especial. A procissão era algo que nos tocava. Parecia que a “santa” saía mesmo a caminhar pelas ruas...
Estou recordando o alto falante no meio da praça... o coreto... tudo isso se acabou... mas ficou no coração e quando guardamos as coisas no coração elas não se acabam não.
Pareço ainda sentir aquela vibração no ar... aquele clima de festa. As fanfarras, os desfiles... a praça lotada de bugigangas. Os balões... o povo colorindo as ruas...
Estou me lembrando do Tunin pipoqueiro. Que figura! Que delícia aqueles amendoins! Nunca provei iguais depois... Fecho os olhos e vejo bem diante de mim a grande cesta coberta com o tecido branco... pareço que o ouço a oferecer pipocas e amendoim... Tunin... a praça. Havia um lugar... o seu ponto.
Tantos jovens... as voltas que dávamos pela praça... os moços num sentido... as moças em outro. Os olhares que trocávamos!
Tudo tinha um encanto especial e quando havia quermesse então! Sinto ainda o vento gelado de maio a me queimar a face... meus cabelos ao vento... os casacos insuficientes tantas vezes...
Tantas festas se passaram... tantos janeiros...
Hoje estive a olhar os fogos de artifício explodindo no ar e recordei o passado. Recordei meu ser vibrando com as festas que aconteceram...
Senti uma pontada no peito... saudades de tantas pessoas que nunca mais encontrei... saudades das sensações daquele tempo.
Os fogos se transformando em nada me contaram que os acontecimentos são parecidos... encantam... fascinam e morrem... precisamos vivê-los intensamente enquanto brilham...enquanto brilham...

sonia delsin

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